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A razão da minha vontade de partir obriga.me a ficar.

Inverno

o vento que levou consigo as folhas do chão tornou-se neste ar parado,  quase sólido peito adentro em dolorosos fôlegos o sol pálido,  quase quente ilumina os bafos que se evadem,  quase tímidos desejando ser o fogo que crepita nas mãos frias,  quase mortas (para o Mário)

Dez tempos

Um dia longo. Dois passos depois, sentou-se no chão. As três lágrimas que chorara já tinham secado. Percorrera os quatro cantos do mundo, mas chegavam os cinco dedos da mão para contar a sua história. Trazia no braço um saco onde metera os seis ovos que lhe tinham dado. Seriam o seu jantar para os próximos sete dias. Tinha o corpo feito num oito e desejou com força as nove vidas de um gato. C om as dez badaladas na torre,  adormeceu por fim.
A angústia que sinto pela rapidez com que a noite chega é espantosamente conquistada pelo conforto que a completa escuridão provoca.
Nunca te vi, nem sei se algum dia te irei ver. As peças, no tabuleiro, ganham vida própria e segue cada uma o seu caminho, sem qualquer garantia de alguma vez encontrar alguma das outras. Deixo estas linhas caso nos desencontremos. Quero dizer que te amo; escape da carburação interior. O amor que me queima deve ser confessado. Amo-te!, para não explodir. Sei também que me amas e por isso somos livres para continuar o caminho. Penso em ti quando acordo. Rebolo para o outro lado e o tecido aconchega-me o corpo. E sinto-me feliz por saber que  tu  também és. Crio-te para que estejas presente. Recomponho-me, sigo em frente e continuo a viver o caminho que escolhi.

Solstício

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Como pude eu deixar passar que no dia 21 de Junho plantei um carvalho?! Cavei um buraco com uma enxada e as cruzes queixaram-se durante três dias e cinco horas. Depois retirei o carvalho do vaso e soltei-lhe as raízes com as minhas mãos. Acomodei-o na terra e reguei-o muito. No fim pus-lhe um nome. Chamei-lhe Bugalhó.
Da morte não tenho medo, tenho frio.