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A mostrar mensagens de junho, 2005
Hoje, pensei na vontade tão grande que tenho de saber tudo sobre ti. Mas sinto também um enorme prazer por não saber nada. Gosto do mistério que nos envolve e queria pedir-te, agora, para o preservarmos. É impossível, mas o ideal seria mesmo nem sequer falarmos, agir somente. Não vamos querer saber nada um do outro. Concordas? - os seus olhos brilharam nos meus lábios esperando uma resposta. Uns dias antes, percebi que lhe doía o passado, talvez já demasiado discutido, e entendi que o quisesse calar. Colaborei naquela morte beijando-lhe o sorriso.

24 hORAS

De manhã, só o corpo, pois é ao anoitecer que a alma inicia o ansioso despertar. As tardes solarengas de Inverno, têm horas rápidas. Procura, por isso, não lhes consagrar muitos planos, para escapar à ansiedade de as ver anoitecer. Só à noite fervilham nela as ideias e cresce a certeza de que tudo está ao seu alcance. Deseja sempre que não tenha fim, sem que com isso deixe de amar o Sol. E, sempre que há estrelas, procura a Lua para lhe dizer que também ela não está só.
Quero falar mais um pouco contigo, voltas? Sim. Mais tarde, regressou. Sentaram-se no sofá. Ela olhou-o com ar interrogativo. Ele sorriu, segurou-lhe o rosto entre as mãos e, nos seus lábios, pintou um beijo.

De boas intenções...

Tinha sido difícil marcar consulta para a sua irmã que, em cima da hora, recusou ir. Para não ser em vão nem o esforço nem o pré-pagamento, foi ela própria. Saiu de lá medicada e passou a ser uma paciente assídua nas sessões de psicoterapia. O tratamento centrou-se, entre outras coisas, na abolição do seu terrível vício. Um dia, antes da consulta para a qual já estava quase atrasada, passou de fugida na casa de uma outra sua irmã para entregar um saco cheio daquilo que lutava por banir dos seus hábitos. Acabou por chegar tarde. Perdeu a consulta e o dinheiro do pré-pagamento. O vício, esse, nunca o abandonou.
Passo todo o tempo sem me lembrar do que sempre soube: só me perdi para poder procurar o caminho, encontrá-lo e, por fim, percorrê-lo no regresso a casa.

Feliz Aniversário, Eu!

Parabéns a mim, nesta data querida! Muitas felicidades! Muitos anos de vida! Hoje é dia de festa - cantam as nossas almas. À menina eu própria uma salva de palmas. CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP

O casarão

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A relva regada bem cedo, nas manhãs mornas de Verão. O gato sorrateiro que, ao final da tarde, entrava para a visita rotineira. As refeições em finais de dia quentes, no pátio de pedra. Os jogos de esconde, secretamente permitidos, nas noites com menos gente. O cigarro frio, fumado sob o Sol de Novembro. Os contos desfiados no calor do sótão, em dias de frio e chuva. A alegria da chegada e a despedida calorosa. As portas todas abertas e as portas todas fechadas. Os novos e os velhos. Os gatos e os ratos. E a luz, toda aquela luz. Azul e rosa. Laranja. Dourada, azul.

...senti a tua falta...

Se tens o poder de me visitar num outro corpo, ontem estive contigo. Recordei-te através de outra pessoa. Falava da mesma forma encriptada, daquele jeito tão próprio de quem, pelas palavras, espera desnudar o outro. Usava a tua certeza no rosto e a mesma segurança no dizer. Como tu, conseguiu cercar-me, enredando-me nas minhas próprias palavras, para, por fim, me abraçar com um sorriso. Como tu, com breve destreza, descobriu em mim a dor.

Só agora

Nem tenho tido tempo que te dedique, meu querido blogue. Não tenho andado na melhor das disposições. Por isso só agora escrevo. Tenho-me sentido em pleno mar alto. Ando completamente zonza. Tensão baixa aliada a uma vesícula preguiçosa. Há-de passar. O que importa é que estou de volta para creditar em ti as minhas coisinhas.