Hoje, pensei na vontade tão grande que tenho de saber tudo sobre ti. Mas sinto também um enorme prazer por não saber nada. Gosto do mistério que nos envolve e queria pedir-te, agora, para o preservarmos. É impossível, mas o ideal seria mesmo nem sequer falarmos, agir somente. Não vamos querer saber nada um do outro. Concordas? - os seus olhos brilharam nos meus lábios esperando uma resposta. Uns dias antes, percebi que lhe doía o passado, talvez já demasiado discutido, e entendi que o quisesse calar. Colaborei naquela morte beijando-lhe o sorriso.
Tenho o Sol nesta caixa de cartão. Não devo abri-la, posso cegar, podendo ouvir o que me queiras dizer. Diz-me tudo... ou então não digas nada (...do mar do mundo e traz-me uma sombra). Muito Sol faz mal, por isso o meti aqui. Não, só o convenci a entrar. Ninguém obriga o Sol numa caixa. Só lá fica se quiser. Disse-lhe que lá estava a Lua e a esta, que lá estava Sol. Pega, leva-a contigo! E, na volta, dá corda ao relógio, já não se mexe há três dias. E traz mais velas - não só perdemos o dia, como escureceu a noite...
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