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A mostrar mensagens de maio, 2007

alucínio in extremis

Formiga que passa e repassa e percorre o corpo todo da cabeça até aos pés. A fúria incontida mas também mal percebida que sempre sobe e desce e desce e sobe, percorre. Chega, basta- fujo. Não desisto... fujo. Eles vêm aí. Não quero saber. Isto de automático já pouco tem, de tanta comichão que anda pelo ar. A comichão tem asas. Logo de manhã, tem asas. E não há quem lhas corte. Vamos ver se me chamam. Não, não vão chamar.
Convenci-me de que já não precisava de ti. Pensava, assim, poder suportar mais facilmente a tua provável ausência. Hoje sofro o quanto estive errada.
Quando a criatividade emperra, recorro à escrita automática. Desta vez, dei-lhe uns toques, poucos, mais a nível da estética linguística, para vos mostrar. Foi assim: A criatividade fugiu-lhe por entre os dedos finos e longos, como os longos minutos que espera por quem nunca chega a chegar. Bater nos nós das árvores, altas e finas, que badalam vinte e cinco vezes o som do relógio de cucu, sem sequer saberem o porquê de o fazer com tamanha preocupação. Depois, vestiram de folhagem seca todos os tapetes da região, nunca permitindo que se aproximasse a hora de levantar o voo das cegonhas que, com os perús, sonharam com outras paragens. Só isto e acompanhar as ideias e agrilhoá-las a este papel e elas olham já muito saudosas para as que conseguiram escapar. Invejosas, pensou o pernilongo que tentava saltitar, porque antes vira alguém fazê-lo. Fora depois interrompida pela entrada do som do telefone. Parou. Escrever e ouvir ao mesmo tempo não faziam as suas delícias, o que não significava q...
Nada de nada... Procurei por todo o lado. Se calhar já só amanhã é que a encontro. Se aparecer escrevo mais um pouco.

Para sempre

Com o ar doce e morno, Maio traz também a memória da eterna perda. Na pedra das paredes aquece o brilho das recordações. O portão e o empedrado da rua, fronteiras com o exterior, falam-lhe em silêncio. A chegada que não chega e a despedida para sempre passaram a sombrear aquele lugar carregado de tantas alegrias e vitórias. O lugar da sua última liberdade, onde o Sol tudo doura e a vida flui, encheu-se de toda a saudade.